Um dos grandes problemas que nós temos hoje, e que tende a se agravar, é que estamos lidando com dois comportamentos que estão se tornando crônicos.
O primeiro é o chamado scrolling. A cena é comum: surgiu uma dificuldade, uma tarefa ficou desconfortável, uma decisão exige esforço mental. Em vez de enfrentar, a pessoa pega o celular. Em segundos, já está rolando vídeos, alternando entre redes sociais, consumindo conteúdos curtos e fragmentados. O que começa como uma pequena pausa vira um ciclo automático. Esse hábito, repetido diariamente, transforma-se em vício. E mais do que um simples costume, começa a assumir contornos de uma condição psicossomática, com ansiedade, dificuldade de concentração, irritação e sensação constante de cansaço mental.
O segundo problema é mais silencioso, porém igualmente grave: nós paramos de anotar. Paramos de escrever à mão. E isso não é apenas uma questão pedagógica ou nostálgica. Escrever ativa áreas específicas do cérebro que não são estimuladas da mesma forma quando apenas digitamos. O ato físico de formar letras, organizar pensamentos no papel e estruturar ideias manualmente fortalece conexões neurais ligadas à memória, à compreensão e à criatividade. Quando deixamos de fazer isso, vamos perdendo gradualmente essa capacidade de aprofundamento cognitivo.
Perceba que estamos falando de fundamentos. Pode parecer que são questões desconectadas, rolar vídeos e parar de escrever, mas não são. Ambas enfraquecem nossa estrutura mental. O excesso de estímulo superficial reduz nossa tolerância ao esforço. A ausência da escrita reduz nossa capacidade de organizar o pensamento.
E quando falamos em empreender, criar, gerar soluções ou inovar, estamos falando justamente da necessidade de estruturas mínimas. Criar exige foco. Resolver problemas exige profundidade. Empreender exige clareza mental. Se não conseguimos sustentar atenção por alguns minutos sem buscar distração, e se não treinamos nossa mente a organizar ideias de forma estruturada, ficamos cada vez menos preparados para construir algo consistente.
Portanto, antes de pensar em estratégias complexas ou ferramentas avançadas, talvez seja necessário recuperar o básico: reduzir o consumo compulsivo de estímulos e voltar a escrever. São práticas simples, quase óbvias, mas são elas que sustentam qualquer processo criativo e qualquer jornada empreendedora sólida.
Autoria de Cleverson Lacerda por WMB Marketing Digital
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